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Queda na produção de alho

05 de Fevereiro de 2018

Uma notícia não muito boa para a agricultura: a produção de alho na região de Curitibanos sofreu uma queda de pelo menos 20% em relação ao ano passado, afetando não só a quantidade, mas também a qualidade do produto local. Quem afirma é o presidente da Associação Catarinense dos Produtores de Alho (Acapa) Everson Tagliari.

A chuva que veio em janeiro fez falta nos meses de desenvolvimento da planta. Segundo o presidente, a seca entre os meses de agosto e setembro tornou o clima irregular, afetando diretamente a qualidade do alho, que está inferior à da safra passada, por exemplo. “Seca, frio na época errada e sem chuva regular… O produtor que fez sua parte não pode contar com o clima este ano”, lamentou.

Com condições climáticas desfavoráveis e alta na importação do alho argentino, deve haver reflexos nada positivos no preço de venda. Everson informou que a média de preço do alho, este ano, deve ficar entre R$ 4 e R$ 4,50, valor bem distante do ano passado, quando o produto foi comercializado a R$ 9. “O alho vai remunerar a metade do ano passado, mas o ônus está aí, os produtores precisam honrar os custos da produção. Por isso, a valorização do produto nacional e local é tão importante. Penso que devemos ser bairristas nesse ponto”, observou.

De acordo com o presidente, caso a importação ganhe força, o produto nacional estará comprometido, assim como a renda de muitos produtores, uma vez que o plantio de alho é uma das únicas alternativas de cultivo no Inverno. A preocupação principal é com a enxurrada de alho argentino que entrou no país em dezembro. Everson comentou que se estima pelo menos dois milhões de caixas. Para ele, apesar de todas as medidas adotadas em nível nacional e estadual, antidumping, isenção de ICMS e taxas, competir com a importação continua complicado e o cenário não é muito positivo. “A prioridade é manter o produtor no campo, mas é preciso aumentar o rigor à fiscalização do contrabando que vem dos países pertencentes ao Mercosul. Há muito alho chinês que entra pelo Uruguai de forma mascarada, prejudicando o setor”, reforçou o presidente.

Ele salientou, ainda, que essa prática, além de desestimular o cultivo, impacta diretamente na arrecadação de impostos no país. Perde o produtor e perde o governo que deixa de arrecadar.

NA ESPERA

Segundo o produtor curitibanense Eduardo Tagliari, o período de seca prejudicou a produção em diversas lavouras, que tiveram de investir em irrigação a fim de manter a qualidade do alho. Eduardo explicou que, com a seca, a colheita que iniciou entre dezembro finalizou no início deste mês, por isso, boa parte dos agricultores já colheu e vendeu o produto com preço baixo, pois as contas começam a chegar. “Para quem conseguiu irrigar e pretende fazer a venda escalonada, o prejuízo não é tão grande, pois a espera ajuda a fazer um preço um pouco melhor”, avaliou Eduardo.

Fonte: A Semana Curitibanos