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Alho argentino: melhoram as perspectivas para este ano

19 de abril de 2017
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O alho é hoje uma das culturas que têm maior impacto na economia de Mendoza, na Argentina. Não só porque a sua cadeia produtiva traz uma renda de cerca de 4 bilhões de pesos, com forte impacto na geração de emprego, mas também porque 10% das exportações feitas Mendoza pertencem a este setor.

Após dois anos de bons preços internacionais, que fizeram a área cultivada aumentar em 15% na província, os produtores levantaram a necessidade de reduzir custos e diversificar mercados internacionais, a fim de baixar os níveis de dependência com o Brasil. É que, enquanto eles desfrutam de boa rentabilidade, países concorrentes também decidem ampliar a produção.

A superfície plantada com esta cultura se move na geografia Mendocina. O plantio de alho aumentou de 7.000 hectares para ocupar 8.500 na temporada 2015/2016. Na mais recente (2016/2017), a área se expandiu para 9.500 hectares. “Tudo indica que a próxima safra vai continuar subindo no mesmo nível de 15%”, disse Jonathan Manjón, analista de atividade do Instituto de Desenvolvimento Rural.

O Vale do Uco é a região que mais aposta nesta plantação. Tanto é que hoje é o principal produtor do chamado Cinturão Verde (Maipú, Guaymallén). O desenvolvimento de alho na área de Valletana foi reforçado nos últimos sete anos e hoje produz 62% do total da província.

Departamento Nacional

Reduzir a incidência de custos de trabalho; incorporar a tecnologia em práticas, tarefas de irrigação e de embalagem culturais; estratégias de pesquisa para melhorar a semente e gerenciar compensação para os custos altos de translado de mercadoria, são alguns dos desafios do setor alheiro local.

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A imagem desta cultura foi analisada e discutida na semana passada, pelo Departamento Nacional de Alho. Além de produtores e exportadores, participaram do evento autoridades do Ministério da AgroIndústria e do Ministério da Economia da Província. O objetivo da reunião foi, inclusive,montar uma agenda pontual de trabalho, para promover as exportações.

A relevância dessa produção agrícola para a economia provincial foi o ponto em que todos concordaram. “Estrategicamente, este setor é muito importante. Gera muito emprego e cerca de 10% das exportações feitas Mendoza,” disse o ministro da Economia de Mendoza, Martín Kerchner.

De acordo com estatísticas do Instituto de Desenvolvimento Rural, em volume de produção agrícola para exportação, o produto ocupa o terceiro lugar na província, atrás da venda de vinhos e mostos.

Embora ninguém conteste a sua supremacia no nível de exportação, o mercado internacional do alho argentino tem dois problemas graves: a dependência com o Brasil (como o comprador principal) e desvantagens na competição contra o alho chinês.

Kerchner disse que a província já investiu 300 mil pesos para financiar grupo de advogados que trabalham “para manter a tarifa antidumping, que nos protege contra o avanço do alho chinês”, cuja medida expira no próximo ano. “Mas também vamos viajar com representantes da indústria para o Brasil para fazer um trabalho político. Já iniciamos as negociações com o embaixador no Brasil”, disse o ministro.

A China é o principal vendedor de alho do mundo, com 80% da produção total. A Argentina ficou em segundo lugar (80% de alho é de Mendoza), mas há duas temporadas foi ultrapassada pela Espanha.

Este país europeu está crescendo de forma constante, mantendo mercados na Argentina e em outros países. De fato, de 2003 a 2017, a quantidade de alhos exportados pela Argentina diminuiu em 28%.

“O preço internacional é bom. Caso contrário, o alto custo que temos, em dólares, teria tornando o cultivo inviável. No entanto, estamos muito preocupados com a situação para o próximo ano. Sabemos que os nossos concorrentes tem uma produção muito importante”, explicou Daniel Espósito, líder do setor em Mendoza.

Por sua vez, Osvaldo Sánchez, empresário do setor, assegurou que o consumo no Brasil tem baixado, embora reconheça que esta situação “pune mais as importações chinesas do que as Argentinas, porque os brasileiros priorizam o menor tempo de trânsito que exige para os nossos produtos estarem disponíveis”.

Diversificar o destino das exportações parece ser a chave. Tanto o Brasil, como México, produzem alho, mas geram apenas 33% do que consome. Portanto, ambos buscando começar a fechar a lacuna entre o que é produzido e o que se importa.

O México aparece como uma das grandes alternativas para a Argentina, mas – dado seu baixo poder de compra – preferem o alho da China. O nosso segundo maior comprador é os EUA, que exige melhor qualidade.

“Sempre houve bons e maus momentos, mas se eu fizer um balanço, nos últimos dez anos o alho tem sido uma cultura mais estável, o que nos permitiu avançar”, diz Alejandro Cocco, produtor do Valle De Uco. Ele observa que os aumentos de impostos e os altos custos de trabalho, são fatores que atingem mais os pequenos e médios produtores.

Fonte: Los Andes. Tradução: livre