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“Alho espanhol pode estar chegando ao Brasil subfaturado”, alerta presidente da ANAPA

15 de março de 2017
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O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Alho (ANAPA), Rafael Jorge Corsino, alertou o coordenador-geral da COANA, Ronaldo Salles Feltrin Correa, em reunião na última terça-feira (14), sobre os indícios de subfaturamento de alhos provenientes da Espanha. Segundo o presidente nacional da ANAPA, nos últimos quatro anos as importações de alho espanhol cresceram mais de seis vezes.

“Até quatro anos atrás a Espanha mandava 200 mil caixas de alho para o Brasil. Em 2016, o volume acumulado alcançou o total de 1.612.613 mil caixas”, apontou.

Corsino avalia que a inundação de alho espanhol no mercado brasileiro é prejudicial aos produtores nacionais. Segundo ele, o produto oriundo da Espanha vem para o Brasil no pico da safra centro-oeste, período que os produtores de Goiás, Brasília, Minas Gerais e Bahia, começam a vender e a pagar as contas.

“A ANAPA não é contra a entrada de alho estrangeiro no Brasil, o problema é quando este produto entra de forma indiscriminada, competindo de forma desleal com o produto nacional. Sabemos que o custo de produção na Espanha é entre 25 e 27 dólares. O que estamos acompanhando nos últimos anos, é alho espanhol sendo declarado a 15 dólares”, acrescentou Rafael Corsino, ao sinalizar que a diferença de valores do custo de importação reflete no mercado brasileiro.

Ronaldo Correa revelou que, recentemente, o setor empresarial também chamou a atenção para a questão do subfaturamento. “Distorções grandes de preço justificam a parada da carga no setor primário, ou seja, no porto”, afirmou o coordenador da COANA.

O presidente da ANAPA destacou que a expectativa do mercado é de uma super safra de alho para este ano. “A China aumentou 20% da área plantada e a Espanha 5%. Como o governo brasileiro tem reagido aos problemas do setor, nós estamos aqui antecipando que pode, novamente, acontecer problemas de subfaturamento, devido a grande quantidade de alho que deve vir de fora”, concluiu.